A melhor novela do inicio do ano.

Parece uma imagem de “Onde está Wally”, mas é um velório.

Nada de Globo, Record ou SBT: a melhor novela do inicio de 2019 aconteceu na conturbada política brasileira.

Luis Inácio “Lula” da Silva, que repousa de sua aposentadoria forçada na superintendência da policia federal em Curitiba já a quase um ano, recebeu mais uma notícia aparentemente triste: Vavá, seu irmão de sangue e de lutas sindicais, morrera no último dia 29 de Janeiro. O detento aos prantos implorou para a justiça que pudesse comparecer ao enterro de seu querido irmão, tendo o benefício de sair um pouco de sua reclusão.

A internet explodiu com essa possibilidade. A direita querendo que Lula permanecesse preso a todo custo, enquanto a esquerda bradava o desejo que Lula saísse – mesmo que momentaneamente – de seu cárcere.

A questão não era tão simples, já que a lei determina que um preso pode sim receber o benefício da “saidinha” em caso de morte de conjugue, irmãos ou pais.

Vale lembrar, porém, que Luis Inácio – enquanto solto – não compareceu ao velório/enterro de seus outros dois irmãos: João Inácio da Silva (falecido em 2004) e Odir Inácio de Góes (falecido em 2005).

Houve então um apelo da defesa de Lula para que a tal lei se fizesse valer – e foi negado pelo TRF4; após a Polícia Federal declarar que não haveria contingente necessário para garantir a segurança do ex-presidente da republica.

A defesa de Lula, então, apelou para o Supremo Tribunal Federal, e o pedido chegou nas mãos no Ministro Dias Toffoli – ministro esse, que fora indicado por Lula para o STF.

Naturalmente, Toffoli liberou o pedido e Lula poderia assim colocar os pés para fora de sua cela.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann não esperou e correu para as redes sociais para postar uma imagem que pedia a seus militantes comparecerem ao velório, e trazia as seguintes palavras:

Convocação em homenagem a Vavá – contra a injustiça, pela liberdade e pelos direitos de Lula” – que fora apagada pouco depois de sua postagem; porque a imagem repercutiu de forma muito negativa nas redes sociais, inclusive para alguns poucos defensores do partido.

Ficou mais que claro e evidente que a visita de Lula não seria nada mais que uma atitude política para fazer do velório do falecido se tornar um comício (como ocorrera no velório da falecida Marisa Letícia), dando a chance do detento fazer o alarde de sempre, falando de como sua situação é injusta e tudo o mais que já estamos cansados de ouvir, mesmo depois do acesso completo às investigações estar mais que disponível para todos na internet, com todas dezenas de folhas do processo contra Lula, mostrando todas suas provas contra o próprio.

A decisão de Toffoli, porém, chegou nas mãos da defesa de Lula com algumas restrições:

  • Não poderia haver comício político no velório
  • Lula poderia sim receber visitas, contanto que fossem apenas de familiares
  • O velório deveria ser feito sem jornalistas, em reservado com local a definir – dentro de uma das instalações do exército brasileiro, para que houvesse controle rigoroso de quem entrasse e saísse do local e pudesse assim garantir a segurança e as restrições estabelecidas.

Com essas medidas atendidas Lula poderia garantir o seu direito e tranquilamente se despedir de seu finado irmão.

Foi aí que Lula desistiu de toda a palhaçada. Se fosse com as restrições estabelecidas, ele preferiria ficar deitadinho em sua cela improvisada na Polícia Federal de Curitiba.

Quando todos pensaram que a novela se encerraria por aí, eis que é postada na internet o momento vergonha alheia – que inclusive, ilustra essa coluna: fizeram o comício a favor de Lula, mesmo sem o Lula. Com direito a máscaras do ex-presidente, militantes vestindo camisetas com a figura do detento, faixas escritas “Lula Livre” e até mesmo uma bandeira vermelha com o rosto de Luis Inácio dentro da silhueta do Brasil.

Um ato, obviamente em vão, já que no dia 06 de Fevereiro saiu a segunda condenação de Lula – dessa vez, sobre o sítio de Atibaia. Mais 12 anos e 11 meses para somar à condenação anterior, totalizando 25 anos de pena.

E nesse ponto, ninguém mais lembra quem foi Vavá.

A posse de Bolsonaro

O presidente Jair Messias Bolsonaro em desfile de carro aberto com a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

No dia primeiro de Janeiro de 2019, Jair Messias Bolsonaro tomou posse da presidência da republica federativa do Brasil; com direito autoridades mundiais, fanfarra, mãos trêmulas e muitas, muitas lágrimas.

Não é novidade para ninguém que o presidente aguardava com extrema ansiedade por esse dia; em que todas as ofensas, calúnias, cuspes, ovadas e até mesmo atentados contra sua vida pudessem ter valido a pena.
O clima foi de emoção a todos que acompanhavam o evento – que contou com uma quantidade recorde de público, estimado em 150 mil pessoas.

O calor escaldante de Brasília não desanimou os eleitores que gritavam, pulavam e corriam para ver o novo presidente – mesmo que tivessem que assistir com certa distância, já que a segurança para o evento fora reforçada de diversas maneiras graças ao risco real de algum novo atentado; como já divulgado anteriormente pelo General Heleno – agora, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Houve um certo atraso de trinta minutos na cerimônia e um dos cavalos dos Dragões da Independência – o primeiro regimento da cavalaria de guardas – que acompanhavam o desfile, se assustou com a movimentação e roubou a cena durante alguns minutos, demonstrando certo descontrole de seu condutor, mas que foi estabilizado em pouco tempo.

Enquanto Bolsonaro subia a rampa do planalto, era nítido que a emoção tomava conta de todos ao redor. Nem mesmo a intérprete de libras, que traduziu o breve discurso de Michele Bolsonaro conseguiu segurar as lágrimas.

Após receber a faixa presidencial do ex-presidente Michel Temer, Bolsonaro o acompanhou até o Planalto, para então retornar aos holofotes, evitando assim que Temer fizesse parte do primeiro discurso presidencial (como dita a tradição); provavelmente para evidenciar as alterações que a nova gestão terá em relação aos seus antecessores.
Outra quebra de protocolo foi quando a nova primeira-dama, em um ato inédito na história das posses presidenciais do Brasil, discursou antes mesmo do novo presidente, e com um adicional de ter o discurso feito completamente em libras, com uma interprete ao seu lado descrevendo que Michele se dirigia especialmente às pessoas com deficiência auditiva e para aquelas que se sentiam esquecidas, dizendo que eles serão respeitados e terão os direitos preservados; sendo que mantinha no coração um desejo profundo de contribuir com a promoção do ser humano.

Em seu primeiro discurso com a faixa presidencial, Bolsonaro ressaltou seu compromisso contra a corrupção e aos gastos desnecessários. Reforçou a luta mais que necessária à favor das reformas (em especial a da Previdência), do investimento à educação e segurança, o combate contra a ideologia de gênero, defesa da instituição familiar e da liberação ao porte de armas para cidadãos sem antecedentes criminais.

O evento ainda contou com a posse dos novos vinte e dois ministros; entre eles o ex-juiz Sérgio Moro, personalidade já reconhecida em todo o mundo graças à Operação Lava-Jato, que culminou em centenas de prisões por todo o país. Moro assume o recém-criado ministério da Justiça e Segurança Pública.