Os primeiros 10 dias de governo Bolsonaro

Os primeiros dias do governo de Bolsonaro tiveram mais escorregões que acertos.

Os erros e acertos da primeira semana do novo presidente

Os primeiros dias de Jair Messias Bolsonaro na presidência da republica do Brasil foi conturbada e cheia de controversas.
Apesar de alguns acertos, vale ressaltar que o novo governo tem dado bons tropeções logo no inicio do mandato, o que vem atraindo críticas da oposição e desconfiança de boa parte de seu próprio eleitorado.

O apoio a Rodrigo Maia
É importante começar sobre o apoio do PSL – partido de Jair Messias – à candidatura da presidência da Câmara de Rodrigo Maia. Começar por esse assunto dá corda para puxar todo o resto.
Ao contrário do que era de se esperar de um partido que reuniu forças nas últimas eleições com o clamor popular pela mudança e até mesmo pelas próprias críticas do presidente à velha forma de fazer política, o PSL oficializou o apoio de Rodrigo Maia, do DEM, à presidência da Câmara.

Rodrigo Maia é velho conhecido, parceiro de Michel Temer, investigado por lavagem de dinheiro e corrupção na Operação Lava Jato.
Segundo Bolsonaro, o apoio à candidatura de Maia é puramente com o interesse de fazer passar pela Câmara a tal Reforma da Previdência que o ex-presidente da republica encaminhara.

Tal ação, no entanto, bate de frente com as declarações do partido e do próprio Jair; que fizeram intensa campanha contra as alianças à personalidades e partidos corruptos. Mas é compreensível que o apoio venha devida a necessidade de haver um “meio de campo” com outros partidos e fazer a Reforma realmente ser aceita.

Bolsonaro chegou a dizer em entrevista ao SBT que “Reforma boa é a Reforma que passa”. Em partes Jair tem razão. Melhor uma Reforma fraca que Reforma nenhuma. Porém, existem outras pessoas que estarão na Câmara que poderiam tentar articular uma Reforma mais justa para todos os brasileiros, incluindo o Deputado Federal Kim Kataguiri (DEM), uma das lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) – que apesar de ter apoiado a candidatura do atual presidente da republica, não teve reciprocidade em sua candidatura para Presidir a Câmara.

O baile dos privilegiados
Ainda sobre a Reforma da Previdência, o atual governo tem se posicionado sobre como as mudanças afetarão os militares: o Ministro-chefe da Secretaria do Governo, Santos Cruz afirmou recentemente que: “Militares, policiais, agentes penitenciários, Judiciário, Legislativo, Ministério público possuem características especiais, que têm de ser consideradas e discutidas”. O problema é que abrindo mão da inclusão de militares na Reforma, abre-se precedente para muitos outros cargos privilegiados pularem fora também – o que faz a medida ser quase que completamente contraprodutiva; e como sempre, quem paga a conta é o contribuinte.

Caos no Ceará
Depois que o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), decidiu – depois de quatro anos de gestão – que deveria fazer a limpa em presídios do estado, acabando com regalias entre facções criminosas, e prometendo fazer jogo duro contra celulares e armas nas celas; bandidos começaram uma verdadeira ação terrorista em Fortaleza e cidades do interior do estado.

Santana pediu ajuda federal para intervir – o que foi prontamente atendido por Bolsonaro e Sérgio Moro, o novo ministro da Justiça.

Mídias alternativas como o MBL questionam se isso não seria uma tática proposital do PT: criar caos para que seja forçada uma intervenção militar; fazendo com que a votação da Reforma da Previdência ficasse congelada enquanto a ação durasse.

Nova presidência da Caixa
Pedro Guimarães, o novo presidente do Banco Caixa começou o ano com algumas polêmicas.
Primeiro disse que quem for da classe média não mais poderá ter desconto para crédito habitacional, como o Minha Casa, Minha vida.
Na prática, quem estiver dentro do padrão terá juros de mercado, fazendo com que o banco lucrasse mais a longo prazo.
“Para quem é classe média, tem que pagar mais, ou vai buscar no Santander, no Bradesco e no Itaú.”, ressaltou.

As polêmicas não terminaram por aí, a Caixa ainda determinou cortes milionários na verba de times de futebol e campeonatos estaduais que tinham patrocínio do banco. Cerca de 25 clubes terão os contratos finalizados agora em 2019.
Só no ano passado, a Caixa gastou mais de 190 milhões de reais com o futebol.

As mamatas televisivas
Bolsonaro também anunciou que a verba destinada para propaganda nos canais de televisão aberta sofreria um grande corte, fazendo com que todas as emissoras recebam exatamente o mesmo valor, independente de sua audiência ou público.
A emissora que mais perderá com isso é a Rede Globo de Televisão.

Apesar de anunciar uma medida tão diferenciada como essa, o ministro Santo Cruz disse que a emissora EBC, conhecida como “TV Lula” não será extinta – embora tenha sido uma das promessas da campanha de Bolsonaro.
A emissora é uma das centenas de estatais criadas nos governos petistas. Desde sua criação, a emissora EBC já sugou mais de 4 bilhões de reais dos cofres públicos.

Privilégios e mais privilégios
Recentemente Rosell Mourão, filho do Vice-presidente Hamilton Mourão subiu de cargo no Banco do Brasil, se tornando assessor.
O cargo, além de ser de alta confiança, tem um salário de 36 mil reais.
Mourão-pai teve ainda que se explicar com o presidente Bolsonaro sobre a nomeação do filho. A explicação é que o mesmo tem mérito próprio, sendo que entrou no BB através de concurso publico e sua carreira lá dentro chega a quase duas décadas, sendo que onze desses anos foi na Diretoria de Agronegócios do banco.
Rosell não teria subido de cargo anteriormente por perseguição política.

Verdade ou não, fato é que um novo governo – que se elegeu desafiando os antigos marajás da política – colocando-se em posição de novidade e declarando ser diferente das políticas anteriores (que já conhecemos bem), precisa não só ser bom, mas parecer bom.

Não duvido que o filho de Mourão tenha suas qualidades e até que seja um excelente profissional, mas um novo governo exige novos exemplos – e isso deve ser dado a qualquer custo. Esses detalhes mostram o tom de moral que um governo honesto deve ter.

Bird Box e a incrível máquina de aprofundar o desnecessário

Sandra Bullock levando a criançada pra “passear”

Finalmente assisti ao novo fenômeno da internet: Bird Box, com Sandra Bullock.

Como existem dezenas de textos falando sobre isso – principalmente nas redes sociais – tentarei ser breve na minha análise como cinéfilo.

Bird Box é um ótimo filme da Netflix; com ótimos atores, ótima direção, ótima fotografia, e com um roteiro que deixa a desejar. Calma, que eu explico: o filme trata de uma situação relativamente nova (algumas outras obras também retratam situações semelhantes, como Ensaio Sobre a Cegueira, e Um Lugar Silencioso). Ainda por cima, existem alguns elementos clássicos que qualquer filme apocalíptico possui – isso, claro, não diminui em nada a qualidade e os elementos originais dele, que tem lá seu próprio sabor.

O que peca, pra mim, é a conclusão do filme.
O final é um tanto quanto preguiçoso, mal elaborado, e desnecessariamente sem sentido. É uma ficção? Sim. Mas até mesmo uma ficção precisa fazer sentido dentro de seu próprio contexto, e o final dele simplesmente não contextualiza isso.

Mas deixemos isso para o último item que deixarei no texto; vou fazer a análise do enredo do filme em si, para tentar elucidar um pouco as dúvidas de quem passou a noite em claro tentando juntar os pontos da trama.

Eu evito fazer análises de filmes, porque a internet é a terra dos palpiteiros, e esse tipo de texto existe às dúzias. Mas como percebi que existe muita dúvida, e tem muita gente falando besteira por aí, resolvi dar meus pitacos também. Acho que a melhor forma de fazer isso são respondendo por tópicos, então lá vai:

1 – O que são os seres do filme?
R: Até que se prove o contrário, são o que você quiser que seja. Como não foi delimitado em momento nenhum alguma característica que pudesse de fato afirmar a procedência dos seres, eles podem ser qualquer coisa. Se o diretor ou roteirista falar amanhã que são aliens, então são aliens. Se falarem que são espíritos, então são espíritos. Se forem seres místicos, o raciocínio é o mesmo. O filme te dá liberdade para imaginar qualquer uma dessas possibilidades.
Por esse mesmo motivo eu darei o meu parecer, e os motivos que me levaram a crer nisso: para mim são seres espirituais ou até mesmo demônios. Os motivos que tenho para acreditar nisso são vários: a contaminação pelos olhos (explicarei na próxima pergunta), a invisibilidade, a materialização (eles não são imaginários, sendo que até mesmo as folhas que passam por eles desviam de seu caminho), a facilidade de mexer com a mente das pessoas, a força, a quantidade, a facilidade de locomoção de um país a outro, os sintomas, por aí vai.

2 – Porque as pessoas não podem olhar para os seres?
R: Como diria o ditado popular: os olhos são as janelas da alma. Nesse filme, esse ditado faz mais sentido ainda. Teoricamente, o ser humano é constituído de três elementos: corpo, alma e espírito. O corpo, que é o físico; o espírito que é a vida, e a alma que é a nossa parcela sentimental.
Quando a pessoa olha para os seres, vê seus maiores medos e arrependimentos encarnados naquele ser, o ser se molda de pessoa a pessoa. Essa manifestação do medo pode ser tanto individual como coletiva.
Quando a pessoa enxerga aquele medo, ela abre a porta para que sua tristeza mais profunda tome conta dela, o que a faz se suicidar logo em seguida.
A única coisa capaz de manter por uma fração de segundo a incontrolável vontade de se matar é o amor. Piegas? Sim, mas é o que o filme demonstra quando Olympia não pula de imediato da janela, para que Melanie salvasse sua filha, e também quando Tom – apesar de já estar infectado – resiste por um segundo ao anseio de sua morte e salva a protagonista e as crianças do último louco infectado, para depois também dar fim à própria vida.

3 – Porque os pássaros são importantes?
R: Essa resposta vai deixar muita gente brava comigo, mas os pássaros são menos importantes do que parecem. Alguns andam dizendo por aí que os pássaros representam liberdade, e tentam qualificar a presença deles das formas mais profundas possíveis. Calma lá, pessoal. O filme não é tão pretensioso assim. Bird Box, além de ser o nome do filme, é também o nome americano para aquelas casinhas de pássaro em que se coloca fora das residências. Tipo essa daqui:

Uma “bird box”, ou se preferir: casa de pássaros, em tradução não literal.

Acontece que existe sim uma ligação entre os pássaros e as pessoas, mas ela é bem menos complexa do que a maioria das pessoas gostariam: da mesma forma que os pássaros estão presos dentro da caixa e da gaiola, as pessoas também estão na mesma situação. Somente no final os pássaros trocam de lugar com os protagonistas; sendo que eles são libertos, e as pessoas que restaram ficam enclausuradas.
Um momento que ilustra bem essa conexão entre humanos e pássaros é quando a protagonista, Melanie (Sandra Bullock) os encontra no mercado e expressa sua surpresa em encontrá-los vivos. As criaturas do filme poderiam dizer o mesmo sobre os humanos que restaram.
O grande diferencial dos pássaros mesmo é que eles percebem a presença dos seres malignos, e acabam sendo usados como uma espécie de “alarme” pela protagonista.

4 – Porque algumas pessoas são afetadas de forma diferente pelas criaturas?
R:
Simplesmente porque elas são loucas. Existem dois momentos em que o filme nos dá essas pistas. A primeira pista é quando alguns dos sobreviventes vão até o mercado onde Charlie trabalhava e são apresentados brevemente a um personagem com apelido de “dedo de peixe”, o rapaz que trabalhava no setor da peixaria do mercado. Charlie explica que conhecia aquele personagem, e que apesar de não bater muito bem da cabeça, sempre foi gentil com ele.
O segundo momento que atesta o que digo, é quando Gary aparece, explicando que ele fora atacado por internos de Northwood, um sanatório para criminosos loucos – que começaram a fazer com que as pessoas olhassem para as criaturas – e Gary consegue escapar no calor do momento. De várias suposições que podem ser feitas sobre essa história é que provavelmente Gary era um desses internos.
Pessoas loucas não tem medo racional profundo, então o efeito das criaturas nelas é diferente. Ao invés de ver um medo profundo, enxergam algo lindo que faz com que queiram que todos vejam o mesmo.

5 – Porque tanta ênfase nas crianças?
R:
Na verdade, a ênfase maior das crianças é por conta do maior medo de Melanie: que algo acontecesse com seu filho. Tanto que recentemente Andy Berghotz, designer do filme – publicou em seu instagram como seriam algumas das criaturas do longa, e que acabaram sendo cortadas da edição final. Existe um desejo das criaturas e de Gary que as crianças enxergassem os seres sobrenaturais, mas não é muito diferente do desejo que os mesmos tem para com os adultos. Vale ressaltar que as crianças também podem ouvir as criaturas, da mesma forma que as pessoas mais velhas, como demonstra os momentos finais do filme.
Em momento algum existe prova de que elas são imunes ou algo do tipo.

6 – Porque os cegos são imunes? Porque o final é ruim (na minha opinião)?
R:
Sobre os cegos serem imunes, é muito simples: só é possível ser infectado através dos olhos. Uma vez que os cegos não enxergam, fim de papo. Não é possível vislumbrar o maior medo deles. Mas isso não os torna intocáveis aos loucos infectados. Melhor então ficar isolado.
Por fim, o filme tem um final terrível e preguiçoso. A impressão que tenho é que se empenharam muito para fazer o enredo, e talvez por falta de verba ou tempo, decidiram correr com um final que ao meu ver não tem nem pé nem cabeça.
Melanie acaba chegando ao final de sua jornada: uma escola enorme, limpa, com manutenção bem feita, teoricamente com muita comida, muitas pessoas e animais convivendo tranquilamente, com roupas limpas, e tudo o mais. Simplesmente um oásis no meio do deserto. Um paraíso em meio ao caos.
A pergunta que fica é: como que, depois de anos, esse local se mantém de pé com todas essas regalias? Como tudo permanece tão arrumado, limpo e sustentável? Em momento algum há uma explicação ou sequer um indício plausível para isso. Até mesmo a médica de Melanie está lá, convenientemente.

O final acaba dando muita informação, e pouca explicação, destruindo assim toda a expectativa que o filme nos trás, toda a espera em vão, todo o interesse em ver um plot vai por algo abaixo.

A posse de Bolsonaro

O presidente Jair Messias Bolsonaro em desfile de carro aberto com a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

No dia primeiro de Janeiro de 2019, Jair Messias Bolsonaro tomou posse da presidência da republica federativa do Brasil; com direito autoridades mundiais, fanfarra, mãos trêmulas e muitas, muitas lágrimas.

Não é novidade para ninguém que o presidente aguardava com extrema ansiedade por esse dia; em que todas as ofensas, calúnias, cuspes, ovadas e até mesmo atentados contra sua vida pudessem ter valido a pena.
O clima foi de emoção a todos que acompanhavam o evento – que contou com uma quantidade recorde de público, estimado em 150 mil pessoas.

O calor escaldante de Brasília não desanimou os eleitores que gritavam, pulavam e corriam para ver o novo presidente – mesmo que tivessem que assistir com certa distância, já que a segurança para o evento fora reforçada de diversas maneiras graças ao risco real de algum novo atentado; como já divulgado anteriormente pelo General Heleno – agora, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Houve um certo atraso de trinta minutos na cerimônia e um dos cavalos dos Dragões da Independência – o primeiro regimento da cavalaria de guardas – que acompanhavam o desfile, se assustou com a movimentação e roubou a cena durante alguns minutos, demonstrando certo descontrole de seu condutor, mas que foi estabilizado em pouco tempo.

Enquanto Bolsonaro subia a rampa do planalto, era nítido que a emoção tomava conta de todos ao redor. Nem mesmo a intérprete de libras, que traduziu o breve discurso de Michele Bolsonaro conseguiu segurar as lágrimas.

Após receber a faixa presidencial do ex-presidente Michel Temer, Bolsonaro o acompanhou até o Planalto, para então retornar aos holofotes, evitando assim que Temer fizesse parte do primeiro discurso presidencial (como dita a tradição); provavelmente para evidenciar as alterações que a nova gestão terá em relação aos seus antecessores.
Outra quebra de protocolo foi quando a nova primeira-dama, em um ato inédito na história das posses presidenciais do Brasil, discursou antes mesmo do novo presidente, e com um adicional de ter o discurso feito completamente em libras, com uma interprete ao seu lado descrevendo que Michele se dirigia especialmente às pessoas com deficiência auditiva e para aquelas que se sentiam esquecidas, dizendo que eles serão respeitados e terão os direitos preservados; sendo que mantinha no coração um desejo profundo de contribuir com a promoção do ser humano.

Em seu primeiro discurso com a faixa presidencial, Bolsonaro ressaltou seu compromisso contra a corrupção e aos gastos desnecessários. Reforçou a luta mais que necessária à favor das reformas (em especial a da Previdência), do investimento à educação e segurança, o combate contra a ideologia de gênero, defesa da instituição familiar e da liberação ao porte de armas para cidadãos sem antecedentes criminais.

O evento ainda contou com a posse dos novos vinte e dois ministros; entre eles o ex-juiz Sérgio Moro, personalidade já reconhecida em todo o mundo graças à Operação Lava-Jato, que culminou em centenas de prisões por todo o país. Moro assume o recém-criado ministério da Justiça e Segurança Pública.